Marilene Hannud

Estilista entrou no mercado da moda há 30 anos, formada pela Faculdade Esmod de Paris, escritora do livro Mulher dos 15 aos 70 anos que conta a trajetória da vida da mulher através da moda.

Atualmente atua como Consultora de Moda e Assessoria de Imagem.

Natal e o Vermelho de Valentino

Nesta época do ano é impossível não associar moda e estilo com a cor vermelha. É uma das minhas tonalidades prediletas, sempre presente em minhas criações e coleções. Em casa, como não poderia ser diferente, esse colorido também está lá, seja nas paredes ou mesmo em outras peças de decoração. Por essas e outras razões, o Natal é uma das épocas do ano que mais curto e aproveito.


É um período perfeito para reunir familiares, fazer planos e pedidos, bem como se preparar espiritualmente para o que virá no ano seguinte. Lembro com bastante carinho dos Natais promovidos pela minha sogra em sua casa na Avenida Paulista. Era uma reunião maravilhosa, na qual toda família estava presente. Guardo ótimas memórias e tenho muitas fotos dessas confraternizações, que para mim serão sempre inesquecíveis.

Mas e no meu vestuário? Ah, dezembro acaba sendo um mês em que me arrisco abusar um pouco mais no vermelho. Várias são as minhas inspirações, mas nunca esqueço uma frase do Valentino, que também adorava a cor. Dizia assim o mestre da moda: “Uma mulher vestida de vermelho está sempre magnífica; ela é, no meio da multidão, a imagem da heroína”.


Nascido em 1932, em Voghera, cidade ao norte de Milão, na Itália, Valentino Garavani sempre teve o vermelho entre suas cores prediletas. Ainda jovem, frequentava óperas e notava como a maioria dos figurinos em cena era naquela tonalidade. “Reparei que, além do negro e do branco, não havia cor mais bela”, já disse ele mais de uma vez em suas entrevistas.

Referência mundial

Falar de Valentino é fazer referência (e reverência) ao bom gosto e ao estilo. É também falar de um dos maiores estilistas de todos os tempos, alguém que mudou completamente o jeito de se pensar moda. Chegado à Paris com apenas 18 anos, ele foi o primeiro estrangeiro a entrar no fechado círculo da moda parisiense no Pós-Guerra. Anos depois, venceria o concurso promovido pelo Secrétariat International de La Laine, disputa que Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld também ganhariam anos depois.


A estética do filme La Dolce Vita, lançado em 1960 por Federico Fellini, fez das peças de Valentino as preferidas entre as grandes atrizes do cinema nas décadas seguintes, que buscavam a elegância de seus cortes e caimentos, muitas vezes atrelados à extravagância da cor vermelha. A lista de modelos, atrizes e celebridades que usam o famoso vermelho do mestre da moda é extensa, indo desde Sophia Loren, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Jackie Onassis a personalidades mais recentes como Julia Roberts, Anne Hathaway e Gisele Bündchen.

Em 2008, depois de 45 anos à frente de sua marca, período em que transformou o seu famoso logotipo “V” em sinônimo de luxo e elegância, Valentino decidiu se aposentar. Após sua saída do dia a dia da grife, o cargo na criação da maison ficou nas mãos de Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri.


Em 2012, Valentino recebeu o prêmio do Conselho da Costura do Instituto de Moda de Nova York. A honraria foi concedida para homenagear a longa carreira do mestre da moda, referência para todos os estilistas e, claro, para mim também. “Valentino apresentou à moda esse tom de vermelho que tanto nos favorece”, disse Yaz Hernandes, integrante do Conselho da Costura, durante a entrega da premiação.

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!

Marilene Hannud

(*) foto de Valentino de autoria de Pier Paolo Cito/AP

Um pedacinho do céu

Não faz muito tempo, a cidade mineira de Brumadinho, localizada a 56 quilômetros de Belo Horizonte, era praticamente desconhecida. Apesar de sua rica história – a criação do então pequeno vilarejo remonta ao período da Guerra dos Emboabas, quando seus primeiros colonizadores se dirigiram para lá a fim de garimpar ouro –, o município ficou longe dos holofotes até meados da década de 1980. 

Tudo mudou quando o empresário Bernardo de Mello Paz começou a idealizar o Instituto Inhotim. Museu a céu aberto, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica que reúne espécies raras de todos os continentes, o local é hoje parada obrigatória para quem gosta de arte, arquitetura, natureza e, claro, de viajar.


Não é exagero chamar Inhotim de pedacinho do céu. Em cerca de 790 hectares, Bernardo criou lindos jardins e belas construções com arquiteturas ousadas e inovadoras, tudo isso em uma área de visitação que compreende ainda fragmentos de mata e cinco lagos ornamentais que compõem magistralmente com a vegetação e o paisagismo do local. 

Vale perder um tempo neste texto para falar sobre Bernardo de Mello Paz. Empresário que fez fortuna no setor de mineração e siderurgia, ele foi casado por muitos anos com a artista plástica carioca Adriana Varejão. Há cerca de 30 anos, comenta-se que começou a se desfazer de sua valiosa coleção de arte modernista, que incluía obras de Portinari, Guignard e Di Cavalcanti, entre outros, para formar o acervo atual de Inhotim, que foi aberto ao público somente em 2006.


Presente e participativo, Bernardo arruma tempo na agenda para as inaugurações de novos pavilhões e exposições dentro do complexo, além de estar sempre instigando a equipe de curadores a buscar novas obras e artistas. Não é do tipo, contudo, que dá palpite na compra de novas peças, como garantiu uma das curadoras do instituto em entrevista para o New York Times, em 2013.
 
Passeio
Para conhecer Inhotim sem sobressaltos, tendo tempo suficiente para conhecer tudo com calma e atenção, são necessários três dias. Se você tem pressa, dois dias também podem ser suficientes, mas saiba que um gostinho de quero mais certamente ficará em seus lábios. Melhor dizendo, mesmo que você passe uma semana por lá essa sensação não te deixará por alguns meses.

O desenho de Inhotim lembra muito o de jardins chineses. Ao andar pelas ruelas curvilíneas do local, você não consegue ver o que há à sua frente. Dessa forma, o caminho sempre dá luz a uma feliz descoberta, seja ela uma galeria, um pavilhão, uma escultura ou mesmo um visual indescritível. E quando você já está cansada de andar de um lado para o outro, um oásis aparece. Ele se materializa na forma de uma sombra agradável à beira de um dos lagos ou pelos 98 bancos gigantes feitos de troncos de árvores, que são lindos e confortáveis. É importante destacar que há ainda boas opções de restaurante e lanchonetes no interior do parque.


Pois saiba também que é delicioso andar a esmo pelo parque, perder-se pelas ruazinhas que dão acesso às 18 galerias – que reúnem trabalhos de artistas consagrados como Tunga, Hélio Oiticica, Adriana Varejão, Matthew Barney e Rivane Neuenschwander – ou mesmo sentar-se embaixo de umas muitas árvores para fazer um singelo lanche e relaxar contemplando a natureza. Para quem não está disposto a caminhar muito, uma boa dica é pagar pela utilização dos carrinhos de golfe que cruzam freneticamente as ruelas do instituto.

Como chegar
O mais legal de tudo é que Inhotim é muito mais perto do que parece. Partindo de São Paulo há uma infinidade de voos diretos desde os aeroportos de Congonhas e de Guarulhos. Em termos de hospedagem, pode-se optar por ficar em Belo Horizonte ou em algumas das cidades da Grande BH, como Lagoa Santa. É perfeitamente possível alugar um carro, curtir o dia todo em Inhotim e retornar para BH no final de tarde.


Se for possível apontar algum ponto negativo, talvez seja a ausência de boas opções de hospedagem em Brumadinho. Há muitos anos, contudo, Bernardo de Mello Paz constrói um hotel dentro do complexo de Inhotim. A previsão de inauguração muda a cada ano, mas quem anda pelo parque já consegue ver que a obra está adiantada. Será um hotel-butique com piscina, espaço para eventos empresariais e sociais, além de restaurante e spa – e o que é melhor, dentro do parque. A julgar o bom gosto de Bernardo, tenho certeza que o empreendimento será lindo e com um estilo único.

Não perca tempo, vá conhecer Inhotim. É perto, lindo, aconchegante e maravilhoso. Recomendo de olhos fechados para qualquer pessoa, mesmo para quem tem crianças pequenas. Eles certamente vão adorar também e se divertir aos montes. É um programa para toda família!

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Marilene Hannud 

Casamentos, seus hábitos e estilos

Não é exagero algum dizer que, hoje, o mercado de casamentos é uma indústria. Pesquisa encomendada pela Associação Brasileira dos Eventos Sociais (Abrafesta) com o instituto Data Popular mostra bem isso: de acordo com a entidade, o setor movimentou R$ 16,8 bilhões somente no ano passado. O que isso tem a ver com moda e estilo? Acho que praticamente tudo, já que, do vestido de noiva à decoração, bom gosto é fundamental na organização desses eventos.

Minha filha Carolina casou este ano com meu genro Vinicius em junho deste ano, em uma cerimônia maravilhosa no Hotel Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Além de um vestido incrível feito pela querida Lethícia Bronstein, a decoração também estava um arraso, alinhando-se perfeitamente com o estilo do espaço onde a festa foi realizada.


Casamento é sempre uma festa linda e emocionante. O da minha filha não foi diferente. Vê-la subir no altar foi uma emoção muito grande, jamais esquecerei. O amor e o carinho que emanavam dos dois era realmente tocante. Foi uma cerimônia maravilhosa. Agora, é claro que cada casal tem sua história e motivos para juntar suas escovas de dente, mas será que é possível apontar tendências e comportamentos similares entre os noivos?

Plataforma digital voltada para o mercado de casamentos, a empresa espanhola Zankyou divulgou recentemente uma pesquisa que ajuda a entender melhor o comportamento de casais de noivos nos 20 países em que atua, incluindo o Brasil. O estudo, que ouviu 15 mil pessoas, traz informações bem interessantes, como, por exemplo, o tempo médio de preparação do “grande dia”, os motivos que os levaram a casar, entre outros.


Segundo o Zankyou, que tem mais de 700 mil usuários mensais, orçamento médio mundial para organizar um casamento é de R$ 56 mil. O bolso dos brasileiros está um pouco mais vazio, apresentando um gasto médio de R$ 48 mil. Por outro lado, temos as maiores festas em número de convidados: segundo o estudo, em torno de 207, enquanto no mundo, a média é de 149. Por essa relação número de convidados x investimento, o gasto médio por convidado dos casamentos brasileiros é o mais baixo entre os países pesquisados, com R$ 234.

Em relação à organização do casamento, 47% das mulheres, em praticamente todo o mundo, começam os primeiros preparativos sozinhas. No Brasil, o mais comum é que o casal pense nos detalhes juntos (54%) e essa etapa do planejamento pode ser muito longa. Ao menos 50% dos noivos franceses, espanhóis e brasileiros levam de nove e 18 meses para organizar o grande dia.


Quem fala primeiro sobre o casamento? Esse tema é bastante dividido mundialmente, já que em 56% das vezes são os homens que tocam no assunto, enquanto o percentual das mulheres é de 44%, exatamente o mesmo índice do Brasil. Peru e México trazem dados surpreendentes: nesses dois países, os homens falam sobre o casamento em 73% das ocasiões. E o casamento acontece, em geral, até o fim do segundo ano de namoro (33% das respostas). Os casais brasileiros não fogem à regra, com aproximadamente 40% dos casamentos neste período.

Além disso, os noivos casam cada vez mais tarde, já que a média de dizer o “sim, eu aceito” é depois dos 30 anos. O troféu de apressadinhos fica com os brasileiros, que se casam por volta dos 29 anos. Já os mais pacientes são os italianos e os norte-americanos, que esperam, ao menos, até 32 anos.

Confira abaixo um infográfico com todos os dados da pesquisa. Ele nos possibilita comparar com muito mais facilidade as informações de cada país. É interessante observar os hábitos e perfil de cada uma dessas culturas.



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Marilene Hannud

* todas das fotos são da fotógrafa Marina Lomar
* o infográfico foi produzido pelo Zankyou

Cronologia da moda

No poste de hoje vou tomar a liberdade de pegar emprestadas algumas palavras do belo livro escrito por N. J. Stevenson, chamado Cronologia da Moda*. Na obra, ele faz uma ampla retrospectiva sobre o mundo da moda, mostrando sua evolução ao longo de diferentes fases e décadas.

Ao fim da leitura do livro de Stevenson, cada vez mais me convenço de que, na moda, tudo se copia e se adapta, sempre em linha com o que vem sendo valorizado no período. De certa forma, puder ver isso de perto nos desfiles do São Paulo Fashion Week. Cores, combinações, tecidos, tudo estava lá, apenas com olhares diferentes e novas roupagens. Em resumo, a base é sempre a mesma.


Anúncio do jeans de alta-costura da Versace, em 1990 

Mas eu já falei demais. Leiam abaixo um dos trechos do livro de Stevenson e vejam se não é mais ou menos por aí:

Novo e moda são termos que andam sempre juntos, porque a moda, por sua natureza volátil, é sempre nova. Examinando a história da moda, vemos que as mesmas formas e cores reaparecerem inúmeras vezes.

O que lhe dá frescor e a traz de volta à vida é a interpretação de novos designers para os novos tempos. Traçar esta cronologia é uma questão de olhar não só para trás, mas também para frente. Com o tempo, nossas percepções dos estilos de moda históricos se embaçam, contaminadas por lembranças de segunda mão e interpretações de figurinistas de cinema e televisão.

Muitas vezes, usamos um estilo para descrever um período, atribuindo-o com precisão a sua respectiva década. A mini saia nunca ficará de fora de um exame dos anos 1960. Mas as saias levaram metade da década para chegar à altura que chamamos de mini. Ideais que a princípio parecem de vanguarda e chocantes aos poucos são assimiladas às roupas de uso diário ou rejeitadas e esquecidas, e revisadas muito mais tarde.



Acompanhar as oscilações do estilo é revelar o delicado processo de seu desenvolvimento. A evolução de uma indústria que reflete o tempo em constante mutação, e é influenciada por ele.

Evolução da moda

Traçar o desenvolvimento do sistema da moda é também revelar como ele se tornou parte da cultura popular. No início do século XIX, a moda era uma indicação elitista de status não muito distante das leis suntuárias da Idade Média, quando a condição social ditava a cor e o tecido que se podia usar.



Napoleão Bonaparte, imperador da França, foi um dos maiores gênios militares e sua mulher Josefina uma das primeiras líderes influentes da história da moda.

Ao longo do século XX, a moda passou a selecionar as melhores influências da arte, da música, do cinema e dos acontecimentos gerais. A função da roupa não e só de proteger contra intempéries: o que vestimos é uma proteção de nossas personalidades (e carteiras), antipatias, simpatias, conhecimentos, valores e aspirações.

Cronologia da moda:

  • 1800 – 1837: Regência e Romantismo
  • 1837 – 1858: O início da Era Vitoriana
  • 1858 – 1870: Alta Costura
  • 1870 – 1914: A Belle Époque
  • 1914 – 1930: O Art Déco e os loucos anos 1920
  • 1930 – 1939: Os elegantes anos 1930
  • 1939 – 1947: O efeito da guerra
  • 1947 – 1960: O New Look
  • 1960 – 1969: “Swinging Sixties”
  • 1969 – 1985: Do Glam ao novo Romantismo
  • 1985– 2020: Retro e Revolução

Marilene Hannud

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!

* Versão brasileira com tradução de Lilian Pacce. Todas as fotos foram retiradas do livro.









Moda e artesanato lado a lado nas passarelas do SPFW

Não pense você que o São Paulo Fashion Week (SPFW) trata apenas de moda, tecidos ou lindas e lindos modelos. Há também espaço para o social. É impossível olhar os desfiles e não encher os olhos com os artesanatos que brilharam nas passarelas. É, sem dúvida, uma tendência que veio para ficar. Além da beleza, esse brilhante trabalho emprega centenas de pessoas, que com suas mãos habilidosas dão forma ao passado do nosso país, fazendo uma nova releitura do tricô das vovós e das famosas rendeiras nordestinas.



No SPFW pudemos ver que, no próximo inverno, a moda do tricô feito à mão é um dos hits da temporada. São roupas que podem ser usadas desde o dia a dia e o ambiente de trabalho até ocasiões informais e – por que não? – nos vestidos de festa. A chave desta temporada recém-finalizada tem confecção 100% artesanal e tramas soltas, o que trouxe uma boa dose de despretensão sofisticada muitos dos looks que usaram essa combinação.

Associado a um tingimento natural, o chamado handmade tem como objetivo criar uma moda totalmente sustentável. O primeiro, por exemplo, é uma arte milenar que antecede registros escritos, que ganhou força durante a Idade de Bronze. Na época, os corantes eram produzidos a partir de plantas e frutas. O vermelho, por exemplo, era obtido por meio de raízes, o azul de folhas e o amarelo dos estigmas da planta açafrão.

Emprego e renda 

Durante o SPFW foi muito bacana ver a coleção de Fernanda Yamamoto, que usou o trabalho de rendeiras da Paraíba nos looks que apresentou. É possível, portanto, falar aqui em moda um gerador de renda, empregos e oportunidade para centenas de mulheres.

Para dar vida à coleção, a estilista realizou visitas frequentes à região do Cariri paraibano, mais especificamente nas pequenas cidades de Camalaú, Monteiro, São Sebastião do Umbuzeiro, Zabelê e São João do Tigre. A visita de Fernanda tinha apenas uma razão: encontrar mãos habilidosas nas associações e cooperativas locais. O sucesso foi duplo: além de encontrar e envolver 40 artesãs no trabalho de desenvolvimento das roupas que apresentou na semana de moda paulista, Fernanda criou peças belíssimas.

Em entrevista durante a SPFW, Fernanda disse que a personalidade das paraibanas está presente em cada ponto de sua coleção de inverno. “Meu primeiro contato com elas foi marcante. Conheço o Brasil, São Paulo e é tudo diferente das minhas experiências. Existe uma força por trás de cada uma delas. Foi muito revelador, por isso surgiu essa vontade de descobri-las, entendê-las e mostrar isso ao mundo aliado ao trabalho que já desenvolvo”, comentou.


Fernanda Yamamoto fez um desfile impecável, com peças ousadas 

Estilista e consultor criativo, o paraibano Romero Sousa foi quem apresentou à Fernanda a riqueza presente no Cariri paraibano. Desses contatos saíram a inspiração para que ela colocasse essas inovações em sua coleção de inverno apresentada na SPFW. Em recente entrevista, Romero ressaltou que trabalho mexia com a emoção. “Temos trocado muita experiência neste intercâmbio cultural e, com certeza, vai ser perfeito o resultado, pois além da disciplina das artesãs, a Fernanda é focada, centrada e especialista na riqueza de detalhes”, disse. 

Não foi apenas Fernanda que usou e abusou do tricô durante o SPFW. Outros estilistas consagrados, como Ronaldo Fraga, também utilizaram. Grifes como Iódice e Lolita também apresentaram belas peças com tricô. Então, não resta dúvida que o tricô veio para ficar.



* Fotos de Alexandre Shneider

Marilene Hannud 
BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade 

A semana da moda em SP

Estar onde tudo acontece é sempre muito gratificante. Ao lado de amigos, amigas e perto de outros profissionais tão renomados, então, é melhor ainda. Foi, sem dúvida, uma semana muito agradável. Ver de perto o que será tendência nos próximos meses é extremamente recompensador. Mais ainda são as rodas de bate-papo: são nessas conversas informais que a gente consegue formar uma impressão melhor de cada roupa, cada desfile e cada marca. E, olha, conversei bastante, com muita gente.

Costanza Pascolato é uma referência nacional no mundo da moda 

Principal semana de moda do Hemisfério Sul, o São Paulo Fashion Week (SPFW) como sempre trouxe novos olhares e reflexões para a moda. Isso pôde ser visto com clareza na inspiração das criações de Lino Villaventura. Considerado um dos maiores estilistas brasileiros da atualidade, Lino tem grande renome internacional, mas diz não dar muita bola para isso. “A gente tem que valorizar o que é nosso. Sempre”, afirma. 

Ousado, faz misturas de materiais e estampas em suas criações, construindo texturas e dando uma nova linguagem  em seus tecidos. Assim, pode-se afirmar com todas as letras que sua moda é sempre criativa e, principalmente, exuberante. Com o preciosismo da alta-costura, Lino trabalha com minúcia os materiais mais inusitados, valorizando o trabalho manual e os elementos nativos. Sobre a elegância, algo que sempre abordo neste espaço, ele comentou após o desfile: “Elegante é aquela pessoa que é verdadeira, tem personalidade e é interessante”, afirmou.

O desfile de Lino Villaventura foi um arraso do início ao fim

O final do seu desfile foi dramático e imponente. Os vestidos desempenharam o seu papel de destaque na coleção, como ele sempre faz. Diante da leva de vaporosos longos, e curtos mais estruturados, chama atenção a aposta que Lino fez nos modelos com o corte em viés, que reforçam a sensualidade misteriosa das mulheres do estilista.

Iódice

Outro desfile marcante foi do meu amigo Valdemar Iódice, que apresentou uma coleção de extremo bom gosto nesta edição do SPFW. Valorizando a mulher e sua sensualidade, a marca usou o cenário embutido no filme Morte em Veneza, lançado em 1971 pelo cineasta Luchino Visconti e que mistura elementos da Belle Èpoque com movimentos de uma cultura libertadora, para apresentar suas apostas para o inverno. 

O ponto alto foi os inúmeros acessórios da Iódice Eyewear usados, com itens com linhas remetendo aos anos 70, que deram um toque de elegância ao desfile. Materiais como o metal com banhos de ônix, além das misturas de outros componentes como couro liso e camurça também foram destaque. Botões enormes belíssimos de acrílico em casacos, malhas e saias com barras  em rendão com o tingimento artesanal e vestidos estilo tubo de malha canelada com barras plissadas também chamaram atenção na moda de Valdemar, assim como a cartela de cores em tons terrosos como o militar, laranja, tijolo e azul petróleo e os clássicos preto e branco.

Os acessórios chamaram atenção no desfile da Iódice 

Zanzando pelo evento, como disse para vocês, bati papo com muita gente. Abaixo, Costanza Pascolato faz uma análise da moda no Brasil:


Na sequência, Gloria Kalil também diz sobre suas impressões sobre o que vem acontecendo na moda brasileira:


Por fim, Valdemar Iódice explicou o que o inspirou em sua última coleção:



As tendências do Inverno 2016

O inverno já está aí – pelo menos no mundo da moda. Para quem não está habituado com esse universo, é agora – com meses e meses de antecedência – que as principais marcas e estilistas do país lançam suas apostas para a temporada de frio. São nas passarelas de eventos como o Minas Trend, recém-encerrado em Belo Horizonte, e do São Paulo Fashion Week (SPFW), em São Paulo, que saem principais tendências para todas as estações.

Inegavelmente, estes eventos são grandes espaços e oportunidade para muita criatividade. É importante destacar também que, hoje, com os avanços do mundo digital, a informação se democratizou tremendamente. Blogueiras e tantas outras especialistas sabem das coisas e, claro, também ditam moda, mas é impossível desassociar o que acontece nas passarelas brasileiras e internacionais do que efetivamente se transforma em tendência.


São, sem dúvida, grandes termômetros para termos uma ideia do que estará nas vitrines na próxima estação. É claro que o estilista cria algumas peças arrebatadoras que não serão vendidas, mas temos que lembrar que se trata de um grande show. Moda, mídia e showbusiness sempre falaram línguas muito parecidas, não é verdade?

Talvez o estilista brasileiro mais reconhecido internacionalmente, o jovem paulistano Pedro Lourenço tentou, em 2013, fugir desse universo das passarelas, abrindo mão dos caríssimos desfiles em Paris para apresentar suas novidades para o Outono-Inverno 2014 de uma forma aparentemente inovadora. Depois de três anos e seis coleções ininterruptas na capital da moda mundial, Lourenço trocou a apresentação tradicional por uma versão digital, a ser exibida na internet. Como a repercussão não foi das melhores, o talentoso estilista retornou ao mundo off-line – e com sucesso.

Voltando aos desfiles, o Minas Trend trouxe uma infinidade de combinações, novidades e tendências que podem – em separado ou de forma combinada – serem usadas por qualquer pessoa. A festa mineira se leva muito a sério e oferece uma grande variedade de roupas bordadas, bem como um artesanato local bem-sucedido.



O evento, contudo, não se limita a eles: foi possível encontrar também estampados, rendas belíssimas, belos jacquards de seda tanto para os longos, como para os curtos. Veja outros destaques:

  • Comprimentos: havia grande oferta de todos os tipos e formatos. Valem as saias micro, mini-saias, saias pelo joelho, mídi e longas; valem também as calças justas e as largas – tudo isso em praticamente todas as cores.
  • Referências mais clássicas: o branco apareceu em muitos looks de diferentes marcas, dando o tom, por exemplo, do desfile de abertura do Minas Trend.
  • Tricô: ele definitivamente esteve em alta.  O tema geométrico apareceu bastante, bem como nos estampados, na forma de listras misturadas a grandes blocos de cores.
  • Sobreposições: elas também foram outro grande destaque do evento, exploradas por muitas marcas.
  • Nude ou Blush: não é novidade nas roupas de festa, mas é uma cor nova para as peças mais esportivas, assim como para os acessórios.
  • Noite: para essa ocasião pude observar bolsas menores, estruturadas em formato de caixinha; sacos de tamanho médio, mochilas, bolsas divertidas em forma de cantis ou com desenhos de boca e de corações.


Nem só de roupas vive a Minas Trend. Os acessórios também tiveram grande destaque, com braceletes e brincos enormes, além de coleiras interessantes. Além do mais, viu-se muita franja (ainda), saias em pontas assimétricas, coletes e plissados. Nas estampas, muitos florais, desenhos geométricos e bolinhas. Nas cores, o bordô permanece e o azul, em todas as suas nuances, continua marcando presença firme. Houve espaço também para uma confirmação de que a tendência mais veranil do inverno 2016 está nos nudes, no lilás claro e em alguns tons pastéis. E, para inovar, um lindo tom de café, bem escuro, para uma série de vestidos de festa.

Lino Villaventura volta a surpreender ao apresentar sua segunda linha mais casual e comercial

Bem, agora chegou a vez do São Paulo Fashion Week, que vai de 18 a 23 de outubro, no Parque Ibirapuera – Pavilhão da Bienal. Trata-se, sem nenhuma dúvida, do evento de moda mais importante do Brasil e da América Latina. A lista de marcas e estilistas é rica e variada. Confira toda a programação dos desfiles no http://ffw.com.br/spfw/inverno-2016-rtw/.
 
Volto nas próximas semanas com alguns comentários sobre o que rolou nas passarelas do SPFW. Não percam!!

BIS! Beleza, inspiração e Simplicidade.
Marilene Hannud

 
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