Marilene Hannud

Estilista entrou no mercado da moda há 30 anos, formada pela Faculdade Esmod de Paris, escritora do livro Mulher dos 15 aos 70 anos que conta a trajetória da vida da mulher através da moda.

Atualmente atua como Consultora de Moda e Assessoria de Imagem.
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A crise, o setor de moda e a criatividade como oportunidade

Para quem anda pela Oscar Freire ou alguns dos shoppings centers de São Paulo, é impossível não reparar: a crise vem deixando, na forma de lojas fechadas, suas pegadas no mundo da moda. Só na badalada ruas dos Jardins, coração da moda no Brasil, o número de lojas fechadas passa de 70. Nada mais natural para um país que vive um cenário de juros e inflação altos, além de desemprego elevado, o que joga o consumo para baixo.
Não é novidade que o varejo – que inclui obviamente o setor de moda – é um dos mercados mais afetados pela crise econômica. Em 2015, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas caíram 4,3% frente ao ano anterior. A virada do ano não trouxe novidades: em janeiro, o volume de vendas recuou 1,5% na comparação com o mês anterior, maior retração para o período desde 2005. Com o resultado, o comércio acumula queda de 5,2% em 12 meses. Para piorar, frente a janeiro de 2015, a diminuição verificada foi de 10,3%, a maior da série histórica do estudo, iniciada em 2001.


Como se houvesse notícias piores, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou ontem números ainda mais sombrios. Segundo a entidade, o volume de vendas do varejo deve recuar 8,3% este ano. Além disso, o total de trabalhadores formais do setor deve cair 3,3% até o fim do ano, o que representaria algo em torno de 253 mil demissões. Caso as previsões se confirmem, será a mais intensa queda no número de vagas desde 2004.

As estimativas são influenciadas por fatores ligados ao consumo, que tem previsão de retração. Renda do trabalhador em queda, juros ainda elevados, crédito restrito e alto patamar de endividamento das famílias não estimulam novas compras, explicou o economista da CNC, Fabio Bentes. “São fatores que devem permanecer no cenário por algum tempo e de difícil resolução no curto prazo”, disse Bentes.

Lá fora a maré também não anda tão para peixe assim. A queda da demanda chinesa, o dólar fortalecido frente a outras moedas e até mesmo os ataques terroristas em Paris transformaram 2015 em um ano complicado para marcas de luxo renomadas, como Prada, Burberry e Richemont (proprietária da Cartier). As ações da Prada, por exemplo, tiveram baixa recorde no dia 16 de dezembro do ano passado, o que levou a grife italiana a reduzir a intensidade da inauguração de lojas e a cortar custos este ano, bem como a lançar produtos mais baratos.

Oportunidade


Nem tudo parece, entretanto, dor e sofrimento no setor de moda. É possível, com criatividade e bom atendimento, escapar desse cenário recessivo. Falo com conhecimento de causa, pois quando tive meu atelier o Brasil era um país em crise constante. Por isso, no meu negócio, fazia questão de ter um atendimento personalizado com minhas clientes. Pesquisava muito as tendências internacionais para criar as roupas bonitas e inovadoras. Além disso, estava sempre em busca de bons e mais fornecedores.


Hoje, com a internet, é possível ser criativo – e falo de criatividade em tudo, no atendimento, no marketing e na área comercial – com ferramentas modernas, muitas delas gratuitas. O e-commerce está aí para provar que não é preciso ter ponto de venda para conquistar os clientes. O Facebook e o Instagram nos mostram que existem canais de comunicação gratuitos muito efetivos. O mundo virtual escancara que há um caminho para fugir da crise atual.

Outro dia li uma matéria sobre duas empresárias que criaram uma loja multimarcas de roupas femininas plus size. Estão indo muito bem, faturaram R$ 3 milhões em 2015 e preveem chegar a R$ 5 milhões este ano. Já a Renner apostou na organização das lojas, com menores filas para pagar, e agilidade no lançamento de produtos para escapar da crise. Com isso, conseguiu elevar a receita líquida no ano passado. São ideias simples, mas que podem fazer a diferença.


No cenário externo, é cada vez mais comum ver grandes grifes apostando nas vendas pela internet, principalmente de acessórios. Gigante do segmento de luxo, o grupo LVMH – dono das marcas Louis Vuitton, Fendi, Donna Karan, Givenchy, Kenzo e Marc Jacobs, entre outras – contratou um ex-executivo da Apple para comandar sua área digital, o que indica que a empresa vai investir muito forte na internet. Uma coisa é certa: há um grande caminho a se trilhar, mas o foco dessas empresas deve se concentrar na experimentação, em proporcionar uma experiência virtual de compra cativante e mais interessante.


É claro que a crise assusta, mas bons empreendedores são aqueles que demonstram resiliência e transformam os obstáculos em oportunidade. Aproveito para relembrar dicas para driblar a crise que dei em um post do início do ano:

  1. Criatividade, seja nas criações, como no atendimento ao cliente;
  2. Marketing é investimento; não é custo;
  3. O mundo digital traz muitas possibilidades: e-commerce neles!
  4. Para encantar um cliente, não basta pensar nele, e preciso pensar como ele;
  5. Você não escolhe o cliente, é ele quem o escolhe;
  6. Na hora da compra, o que conta é a percepção do cliente, e não a sua;
  7. Se a sua empresa pensa diferente do mercado, mude a sua empresa.


BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud

(*) Imagens retiradas da internet. Foto da loja é do site http://onegociodovarejo.com.br/ – não havia indicação de crédito.

Oscar 2016: análise do tapete vermelho

Muita gente há de concordar comigo: o tapete vermelho da cerimônia do Oscar é um dos maiores espetáculos da Terra. Veja bem, não estou falando de cinema. Refiro-me a única e exclusivamente de moda. É nesse pequeno trajeto que leva para os salões do Teatro Dolby, em Los Angeles, que a nata do show business mundial desfila elegância, ousadia e, claro, muitas bizarrices. Como esquecer, por exemplo, o bizarro vestido-cisne da cantora islandesa Björk na edição de 2001? Ou mesmo as inusitadas apostas da cantora e atriz americana Cher nos anos 80? Ainda assim, e graças a Deus, é muito mais comum ver as celebridades acertando do que errando, o que nos permite visualizar que looks serão tendências.

De uma forma geral, vimos apostas mais certeiras do que o contrário no Oscar 2016. A internet, contudo, não perdoa. Muita estrela virou meme, como a ex-modelo alemã Heidi Klum, que usou um vestido da grife americana Marchesa. Seu look de uma manga foi alvo de muitas piadas. Alicia Vikander, com um tomara que caia amarelo da Louis Vuitton, com vários detalhes em metal, também entrou na mira dos críticos – injustamente, minha opinião. Ela pouco ligou, afinal saiu com uma estatueta na mão (foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante). Com um longo Ralph Lauren brilhante, Kate Winslet foi comparada a um saco de lixo fashion ambulante. Pura maldade!

Mas vamos à parte boa da história. Este ano, em especial, vimos vestidos estonteantes no red carpet do Oscar. Não é exagero dizer que Giorgio Armani foi o grande vencedor da noite. É de sua autoria três dos 10 trajes mais bonitos e comentados da noite. Armani ganhou ainda mais os holofotes porque, desses três looks, dois estavam com duas estrelas da premiação: Cate Blanchett, com seu magnífico vestido de organza verde claro; e Naomi Watts, que brilhou com um longo azul arroxeado bem cortado – e que caiu muito bem nela, diga-se passagem.


Apesar da “vitória pessoal” de Armani, dizer que seus vestidos foram os mais bonitos da noite é uma tarefa bastante arriscada. As principais estrelas do cinema mundial brilharam com longos de Dior, Valentino, Givenchy, Gucci e até mesmo Calvin Klein. Indicada ao prêmio de Melhor Atriz, Jennifer Lawrence, por exemplo, foi muito feliz ao optar por Dior com recortes ousados, em uma combinação de nude com preto que lhe rendeu muitos elogios.

Outra que chamou muita atenção dos fotógrafos e comentaristas de moda foi Olivia Wilde, que estava estonteante com um vestido cru todo plissado de Valentino. O que mais chamou atenção, contudo, foi o grande e profundo decote – formado por duas faixas de tecido que abriam desde o ombro de Wilde – do longo. Belíssimo!


Valem todo tipo de registro e divulgação também o lindo Dior que a protagonista do premiado Mad Max, Charlize Theron, usou na noite mais estrelada do cinema mundial. Vermelho e com um bonito decote, que realçou bem com o corpo de Charliz, além da saia justíssima e da cauda, o longo também foi um dos que mais chamou atenção no tapete vermelho do Academy Awards.  

 
Por fim, Lady Gaga. A sempre ousada cantora norte-americana, dessa vez bem mais comportada, brilhou duas vezes durante o Oscar 2016. Primeiro no red carpet, em que estava linda e fatal com um longo todo branco do estilista Brandon Maxwell e recheada de joias caríssimas (nos sites de fofocas diziam que os brincos de diamante custavam US$ 8 milhões). Indicada ao prêmio de Melhor Canção Original (ela não levou a estatueta para casa), Gaga ainda brilhou no palco, com uma emocionante interpretação de Till it Happers.


BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud

(*) todas as fotos são reprodução da internet ou da Getty Images.

A lenda viva

O burburinho foi mais do que inevitável no mundo da moda brasileiro. No início de janeiro, a Riachuelo anunciou que ninguém mais ninguém menos do que Karl Lagerfeld assinaria a segunda coleção internacional da grife. Com sua equipe de designers e assistentes, Lagerfeld já criou 75 peças femininas fast fashion para a Riachuelo, entre roupas e acessórios, que custarão de R$ 50 a R$ 400. A apresentação ao público ocorrerá durante o São Paulo Fashion Week, que será realizado de 25 a 29 de abril, em São Paulo.

Fã incondicional do estilista alemão radicado em Paris, confesso que meu coração bateu mais forte quando soube da notícia. Não é pana menos: Lagerfeld é o último dos grandes estilistas das últimas décadas ainda em atividade – Yves Saint Laurent faleceu, Valentino se aposentou, Tom Ford vive uma transição na carreira e Helmut Lang caiu no ostracismo. Ativo, ainda muito criativo e extremamente talentoso, Lagerfeld é um dos reis do mundo fashion.


De Tóquio a Nova York, passando por Berlin ou Paris, Lagerfeld é sucesso onde quer que vá. Seu cabelo inconfundível, suas frases de efeito (“Minha única ambição na vida é usar tamanho de jeans 28” ou “Eu acho que tatuagens são terríveis. É como usar o tempo todo um vestido Pucci") e seu visual de personagem de desenho animado, bem como os inseparáveis óculos escuros, são suas marcas registradas.

"Eu não posso sair sem alguma coisa para proteger meus olhos, porque alguém pode jogar algum químico no meu rosto. Eu ficaria igual a meu professor de francês da infância, Mr. Pommes-Frites, cuja esposa o queimou com ácido. Você acredita no nome dele?", explicou certa vez. Sua preocupação não é em vão, afinal o People for the Ethical Treatment of Animals (Peta) vive fazendo protestos em seus desfiles.


Contato com público, contudo, não é seu forte. Ser perseguido por paparazzis, dar autógrafos, cumprimentar fãs são rotinas que Lagerfeld não é muito chegado. Então, é bom se preparar para um show de má vontade com o público durante a SPFW. "Hoje, todo mundo tem uma câmera, é flash para todos os lados. Sinto-me um fantoche, um marionete, o Mickey da Disney para as crianças brincarem. No Japão, as pessoas tocam em mim", disse em uma entrevista. "Mulheres japonesas já apertaram minha bunda, por isso agora tenho que ser firme e dizer 'Você pode tirar a foto, mas não me toque'. Não se pode apertar a bunda de alguém na minha idade", completou, com bom humor.

Até sua gatinha de estimação, chamada Choupette, chama atenção. Só no ano passado, a siamesa – que tem biografia lançada e 52 mil seguidores no Instagram – faturou 3 milhões de euros em contratos de publicidade.


Carreira

Nascido em 1933, em Hamburgo, na Alemanha, Lagerfeld vem de uma família rica e tradicional. Seu pai Christian fez fortuna ao introduzir o leite em pó na Alemanha. Já sua mãe Elizabeth tocava violino e adorava conversar sobre filosofia na mesa de jantar.

Desde jovem, Lagerfeld mostrava interesse em design e moda. Aos 14 anos, mudou-se para Paris e apenas dois anos depois já estava participando de competições fashion, sempre apresentando desenhos e cortes inovadores. Em uma dessas ocasiões, competiu (e ganhou) de alguém que se tornaria um amigo muito próximo: Yves Saint Laurent. 

Depois de três anos de muito aprendizado com Balmain e uma passagem como diretor de criação de uma grife francesa, Lagerfeld decidiu alçar voos próprios em 1961. Com competência, estilo e muita criatividade, o estilista rapidamente passou a colaborar com Chloe, Fendi e outras marcas de sucesso, ficando conhecido no mundo da moda por suas inovações e roupas de cores brilhantes, mas sempre com uma olhar para o passado.


Nos anos 80, Lagerfeld era uma das principais estrelas do mundo da moda, endeusado por modelos, profissionais do setor e jornalistas, que adoravam suas extravagâncias e vida social agitada. Amigos de estrelas do cinema e dos mundos da arte e da moda, o atual diretor de criação da Chanel era frequentemente visto com celebridades, como Andy Warhol. 

Ainda nos anos 80, sua contratação Chanel alterou por completo a trajetória da famosa grife francesa, que retornou aos anos dourados depois de anos de dificuldades nas vendas. Em 1984, Lagerfeld lançou sua própria marca, que ele gostava de definir como "intellectual sexiness" (sensualidade intelectual) – posteriormente a vendeu para Tommy Hilfiger.


Nos últimos anos, ainda ligado à Chanel (onde dá as cartas), Lagerfeld se aventurou pelo mundo do cinema e da fotografia, sempre mantendo em paralelo um calendário de eventos, aparições públicas e desfiles bastante ocupada. Suas contribuições a outras marcas, como a loja de departamentos Macy's e, agora, a Riachuelo, também ajudam a mantê-lo em evidência. Vida longa ao mestre!

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud

(*) todas as fotos são reproduções de internet.

O Oscar não é só o tapete vermelho

Na semana passada, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou todos os indicados para o Oscar 2016, o principal prêmio do cinema mundial. O que isso tem a ver com moda? Bem, de uma forma ou de outra, ela está lá sempre presente nos figurinos dos filmes, muitas vezes criando clássicos e ditando tendências.


Como não lembrar, por exemplo, do famoso longo branco com bordados em preto (da maison Givenchy) usado por Audrey Hepburn em “Sabrina”, de 1954? Criada pela figurinista Edith Head, a saia de organza em várias camadas – típica dos Anos Dourados – vestida por Grace Kelly em "Janela Indiscreta", também de 1954, é inesquecível. Vencedor do Oscar de Melhor Figurino em 1960, “La Doce Vitta" nos brindou com várias peças memoráveis, como o longo preto usado por Anita Ekberg.

  
Sou amante do cinema e da moda, por isso em cada Oscar fico sempre atenta ao prêmio de Melhor Figurino. É inquestionável que o figurino desempenha um papel fundamental nas produções cinematográficas, o que permite aos diretores criar uma contextualização mais factível com a década retratada no filme, seja essa do passado, do presente, do futuro e até mesmo da imaginação. Além disso, as roupas cumprem papel essencial para a composição de personagens, auxiliando a maioria dos astros de Hollywood na construção de seus papéis.

Em 2016, cinco filmes concorrem ao prêmio de Melhor Figurino. São eles:


Não que os demais concorrentes não tenham figurinos incríveis, mas “Carol”, dirigido por Todd Haynes, pinta como grande favorito na disputa, na minha modesta opinião. O filme é um dos típicos casos em que as roupas chamam tanto atenção que acabam roubando a cena. Ambientada na Nova York dos anos 1950, a trama gira em torno do romance homossexual entre Carol Aird, interpretada pela genial Cate Blanchett, e Therese Belivet, vivida por Rooney Mara.


Três vezes ganhadora da estatueta do Oscar por “Shakespeare Apaixonado” (1998), “O Aviador” (2004) e “A Jovem Rainha Vitória” (2009), a britânica Sandy Powell recria com capricho e muito glamour, além de extrema atenção aos mínimos detalhes, os modelos utilizados na época. Em “Carol”, a personagem de Cate Blanchett usa roupas luxuosas, como casacos de pele e de cashmere, bem como peças com tecidos finos como cetim e seda.

Em recentes entrevistas, Sandy Powell revelou que se inspirou em looks de muitas revistas da Vogue dos anos 1950, principalmente para montar os modelos usados pela personagem de Cate Blanchett. Já para o figurino de Rooney Mara, visitas a brechós e feiras vintages de Nova York e Los Angeles, além de muita pesquisa, foram suficientes.
 
O resultado é mais do que brilhante. Com roupas chiques e elegantes, Cate Blanchett dá um show de estilo ao longo do filme. Peças como jaquetas trapézio e peplums são destaque, assim como seu inseparável batom vermelho. Remetendo ao que disse acima, quem curtia os lindos modelos de Grace Kelly no cinema vai rapidamente se identificar com o estilo dos personagens de “Carol”.
   
Essa não é a primeira parceria de Cate Blanchett e Sandy Powell. As duas também arrasam juntas na adaptação do clássico da Disney "Cinderela" (2015), dirigido por Kenneth Branagh, que também concorre ao Oscar este ano. Na produção, a brilhante atriz australiana interpreta a madrasta má da pequena órfã, vivida por Lily James, a Lady Rose Aldridge do seriado inglês Downtown Abbey.

 
Na época do lançamento, Sandy Powell disse que tentou modernizar o guarda-roupa do filme original, feito há mais de 50 anos. O icônico vestido azul usado por Cinderela na clássica cena do baile, por exemplo, foi criado com uma saia volumosa composta por mais de uma dúzia de camadas de seda em diferentes tons de azul. O grande destaque, contudo, é o sapatinho de cristal da protagonista, produzido com cristais da Swarovski.

Sinceramente, com duas indicações no mesmo ano, fora as três estatuetas que já venceu, Powell já merece um Oscar por todo o conjunto de sua carreira. Sou sua fã!

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud

(*) as fotos são todas reproduções de internet

Retrospectiva 2015: erros e acertos

O ano de 2015 ficou para trás e podemos abrir 2016 fazendo uma breve retrospectiva sobre o que de melhor rolou no mundo da moda ao longo do ano passado. Neste sentido, numa avaliação mais geral, pode-se dizer que este foi o ano dos riscos fashion, alguns calculados, outros nem tanto.

Vários looks de celebridades, bem como de modelos nas passarelas mundo afora, estiveram, digamos assim, bastante ousados – para não falar outra coisa. Houve, contudo, muita gente (e, claro, seus estilistas) que acertou em cheio no visual. Em contrapartida, aconteceu um festival de erros monumentais, que acabaram entrando na galeria dos micos do ano, rendendo muita brincadeira na internet e nas redes sociais. Vamos, então, listar alguns desses momentos:

Para começar, temos que prestar uma homenagem à diva maior da moda mundial, Gisele Bündchen, que fez seu derradeiro desfile para a Colcci durante a edição de Primavera/Verão da São Paulo Fashion Week (SPFW), em abril. Ao lado de amigos e familiares, a musa não conseguiu segurar as lágrimas com tamanha emoção. Antes do desfile, um telão mostrou momentos marcantes da carreira da top.


Outro momento marcante foi o baile de gala do Metropolitan Museum of Art (MET) 2015, realizado em maio, em Nova York (EUA). O evento, promovido anualmente, tem ingressos milionários (custam inacreditáveis US$ 25 mil) e costuma marcar a abertura da nova exposição do Costume Institute, do MET. Falanges de celebridades, modelos e VIPs vão até lá para desfilar seus looks no red carpet do museu nova-iorquino, que só perde em prestígio – mas não em extravagância – para o tapete vermelho do Oscar.

Em 2015, o tema foi cultura chinesa, com a exposição "China: através do espelho", mas teve muita gente que não entendeu o recado. Por exemplo, alguém consegue esquecer o vestido longo e amarelo com que Rihanna apareceu por lá? É muito difícil, não é verdade? A cantora com certeza levou o troféu de look mais chamativo da noite, para usar um eufemismo. E com méritos, é bom ressaltar.


Desenhado pela estilista chinesa Guo Pei, a peça tinha uma cauda enorme, com detalhes bordados e peludinhos. A capa do vestido longo era forrada de pele e foi bordada com rolos e rolos de flora, levando dois anos para ser concluída. Cruel com qualquer pessoa, a internet não perdoou a ousadia de Rihanna, que virou brincadeira na mão dos internautas.


Quem surpreendeu no ano passado, dessa vez positivamente, foi outra estrela da música: Lady Gaga. Famosa pelos seus looks extravagantes, ela apresentou ao mundo uma versão mais comportada e consciente da moda. Com um lindo vestido volumoso do estilista parisiense Azzedine Alaia, Lady Gaga foi uma das celebridades que mais se destacou no red carpet do Academy Awards 2015, em Los Angeles.


Tendências

Os anos 70 pareceram ter voltado com tudo no ano passado. Não foram poucos os estilistas que criaram vestidos longos, com camurça e muitas franjas, a exemplo do que ocorria naquela época. Ao longo dos meses, outras tendências também estiveram nos holofotes, entre elas o tênis branco, que foi largamente usado, assim como as saias mídi e os tops ombro a ombro.  

O ano de 2015 também foi marcado por muita roupa esportiva, uso e abuso do jeans por parte das jovens e, claro, a polêmica gargantilha, que nos fez relembrar os agora distantes anos 90. Não podemos deixar de falar também da calça pantalona curta. Quem quis ousar, certamente usou. Uma coisa, contudo, é certa: a peça virou alvo de debate em todos os lugares, das ruas às principais maisons. Mas e o que você acha? Vale a pena arriscar ou não?

  
Vimos também ao longo de 2015 muitas celebridades e estilistas criando para conhecidas marcas do varejo. A C&A, por exemplo, trouxe a socialite Kim Kardashian para dar pitacos em uma de suas linhas lançadas no ano. Já a coleção de Lalá Rudge para a Riachuelo foi um hit tão grande que as roupas sumiram das prateleiras num piscar de olhos. Mundo afora, não foi diferente: a coleção da Balmain para a H&M foi um sucesso, assim como as criações de Rihanna (ela mesma!!) para a Puma.

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!

Marilene Hannud

(*) foto da Gisele Bündchen de autoria de Amanda Salles
(**) fotos de Rihanna do site www.purepeople.com
(***) foto de Lady Gaga do Getty Images
(****) foto de Lalá Rudge é divulgação

Réveillon e o branco

Sim, não tem muito para onde fugir: o branco é há muitos anos a roupa oficial do Réveillon. Mas vamos ser sinceras, a cor nunca sai de moda e, de fato, não pode faltar na festa de final de ano. Mas por que ela é tão utilizada? Qual seu significado? O que as pessoas esperam ao utilizá-la?

Para a grande maioria das culturas ocidentais, o branco é sinônimo de paz. Então, é por essa razão que as pessoas escolhem a cor para compor seu visual nas festas de Réveillon. Convenhamos, pedir paz nunca é demais, ainda mais em meio a um 2015 complicado pelo qual passamos, marcado por atentados terroristas, fuga em massa de refugiados de países em conflito e catástrofes ambientais, como a que vimos recentemente em Mariana (MG).

Mas nem só de branco vive a noite de Ano Novo. Outras cores também carregam significados importantes. No Brasil, por exemplo, o amarelo é normalmente ligado a dinheiro e riqueza, enquanto o azul está relacionado a paz de espírito e o rosa a felicidade no amor (é ideal para quem busca namoro sério!!!).


Já o nude, um tom neutro, costuma trazer estabilidade para o novo ano, além de amor. Como o final de ano é o período ideal para as pessoas fazerem seus pedidos para o ano que está por vir, então é hora de escolher que tom você quer para o Réveillon e, claro, para a sua vida em 2016.

Seu estilo

Ainda assim, não existe dúvida de que o branco é a cor preferida da maioria das pessoas na hora de escolher seus trajes para o Réveillon. Mais do que significar a paz, pureza e o bem, o branco é uma cor muito expressiva e costuma estimular os sentidos. Contudo, como vimos acima, isso nem de longe  significa uma regra obrigatória. Cada um tem o direito de usar a cor que lhe agrada mais, combinando isso não só com seu momento de vida e desejos para o Ano Novo, mas também com seus gostos pessoais.


Então, vamos para algumas dicas mais práticas para quem deseja arrasar na roupa para o Réveillon. Se você for passar o Ano Novo na praia, aposte em vestidos mais curtos, mesmo que sejam mais básicos. Se você está em busca de um amor (e de rosa, é claro), por que não deixar as pernocas de fora? Lembre-se também que essas peças são bastante confortáveis e ideais para o clima quente do verão. Além disso, a opção oferece uma ampla gama de combinações de look, em que se pode optar por uma regata com shorts ou saia ou ainda um macaquinho.

Para uma festa em casa ou informal, as alternativas são muitas e variadas. Tudo, claro, vai depender do seu humor e paz de espírito no dia, mas você pode apostar em vestidos curto e longo, um short ou mesmo em uma calça comprida em tecidos simples de algodão compondo com complementos básicos.


O vestido longo de festa é a peça preferida das mulheres quando se trata de uma festa chic e badalada. Ainda assim, não há problema algum em usá-lo em uma celebração mais simples, dependendo de como ele seja e dos seus complementos.

Como já disse aqui, tudo depende de você, de como está se sentindo com você mesma e o que pretende para essa noite e para 2016.  E se você vai participar de uma comemoração mais simples, use um vestido longo de malha. Ele é confortável e leve.

Esse blog volta agora só no ano que vem. A todas um ano repleto de sonhos e alegrias. E viva 2016!!


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Marilene Hannud

Natal e o Vermelho de Valentino

Nesta época do ano é impossível não associar moda e estilo com a cor vermelha. É uma das minhas tonalidades prediletas, sempre presente em minhas criações e coleções. Em casa, como não poderia ser diferente, esse colorido também está lá, seja nas paredes ou mesmo em outras peças de decoração. Por essas e outras razões, o Natal é uma das épocas do ano que mais curto e aproveito.


É um período perfeito para reunir familiares, fazer planos e pedidos, bem como se preparar espiritualmente para o que virá no ano seguinte. Lembro com bastante carinho dos Natais promovidos pela minha sogra em sua casa na Avenida Paulista. Era uma reunião maravilhosa, na qual toda família estava presente. Guardo ótimas memórias e tenho muitas fotos dessas confraternizações, que para mim serão sempre inesquecíveis.

Mas e no meu vestuário? Ah, dezembro acaba sendo um mês em que me arrisco abusar um pouco mais no vermelho. Várias são as minhas inspirações, mas nunca esqueço uma frase do Valentino, que também adorava a cor. Dizia assim o mestre da moda: “Uma mulher vestida de vermelho está sempre magnífica; ela é, no meio da multidão, a imagem da heroína”.


Nascido em 1932, em Voghera, cidade ao norte de Milão, na Itália, Valentino Garavani sempre teve o vermelho entre suas cores prediletas. Ainda jovem, frequentava óperas e notava como a maioria dos figurinos em cena era naquela tonalidade. “Reparei que, além do negro e do branco, não havia cor mais bela”, já disse ele mais de uma vez em suas entrevistas.

Referência mundial

Falar de Valentino é fazer referência (e reverência) ao bom gosto e ao estilo. É também falar de um dos maiores estilistas de todos os tempos, alguém que mudou completamente o jeito de se pensar moda. Chegado à Paris com apenas 18 anos, ele foi o primeiro estrangeiro a entrar no fechado círculo da moda parisiense no Pós-Guerra. Anos depois, venceria o concurso promovido pelo Secrétariat International de La Laine, disputa que Yves Saint Laurent e Karl Lagerfeld também ganhariam anos depois.


A estética do filme La Dolce Vita, lançado em 1960 por Federico Fellini, fez das peças de Valentino as preferidas entre as grandes atrizes do cinema nas décadas seguintes, que buscavam a elegância de seus cortes e caimentos, muitas vezes atrelados à extravagância da cor vermelha. A lista de modelos, atrizes e celebridades que usam o famoso vermelho do mestre da moda é extensa, indo desde Sophia Loren, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Jackie Onassis a personalidades mais recentes como Julia Roberts, Anne Hathaway e Gisele Bündchen.

Em 2008, depois de 45 anos à frente de sua marca, período em que transformou o seu famoso logotipo “V” em sinônimo de luxo e elegância, Valentino decidiu se aposentar. Após sua saída do dia a dia da grife, o cargo na criação da maison ficou nas mãos de Pier Paolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri.


Em 2012, Valentino recebeu o prêmio do Conselho da Costura do Instituto de Moda de Nova York. A honraria foi concedida para homenagear a longa carreira do mestre da moda, referência para todos os estilistas e, claro, para mim também. “Valentino apresentou à moda esse tom de vermelho que tanto nos favorece”, disse Yaz Hernandes, integrante do Conselho da Costura, durante a entrega da premiação.

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!

Marilene Hannud

(*) foto de Valentino de autoria de Pier Paolo Cito/AP

Um pedacinho do céu

Não faz muito tempo, a cidade mineira de Brumadinho, localizada a 56 quilômetros de Belo Horizonte, era praticamente desconhecida. Apesar de sua rica história – a criação do então pequeno vilarejo remonta ao período da Guerra dos Emboabas, quando seus primeiros colonizadores se dirigiram para lá a fim de garimpar ouro –, o município ficou longe dos holofotes até meados da década de 1980. 

Tudo mudou quando o empresário Bernardo de Mello Paz começou a idealizar o Instituto Inhotim. Museu a céu aberto, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica que reúne espécies raras de todos os continentes, o local é hoje parada obrigatória para quem gosta de arte, arquitetura, natureza e, claro, de viajar.


Não é exagero chamar Inhotim de pedacinho do céu. Em cerca de 790 hectares, Bernardo criou lindos jardins e belas construções com arquiteturas ousadas e inovadoras, tudo isso em uma área de visitação que compreende ainda fragmentos de mata e cinco lagos ornamentais que compõem magistralmente com a vegetação e o paisagismo do local. 

Vale perder um tempo neste texto para falar sobre Bernardo de Mello Paz. Empresário que fez fortuna no setor de mineração e siderurgia, ele foi casado por muitos anos com a artista plástica carioca Adriana Varejão. Há cerca de 30 anos, comenta-se que começou a se desfazer de sua valiosa coleção de arte modernista, que incluía obras de Portinari, Guignard e Di Cavalcanti, entre outros, para formar o acervo atual de Inhotim, que foi aberto ao público somente em 2006.


Presente e participativo, Bernardo arruma tempo na agenda para as inaugurações de novos pavilhões e exposições dentro do complexo, além de estar sempre instigando a equipe de curadores a buscar novas obras e artistas. Não é do tipo, contudo, que dá palpite na compra de novas peças, como garantiu uma das curadoras do instituto em entrevista para o New York Times, em 2013.
 
Passeio
Para conhecer Inhotim sem sobressaltos, tendo tempo suficiente para conhecer tudo com calma e atenção, são necessários três dias. Se você tem pressa, dois dias também podem ser suficientes, mas saiba que um gostinho de quero mais certamente ficará em seus lábios. Melhor dizendo, mesmo que você passe uma semana por lá essa sensação não te deixará por alguns meses.

O desenho de Inhotim lembra muito o de jardins chineses. Ao andar pelas ruelas curvilíneas do local, você não consegue ver o que há à sua frente. Dessa forma, o caminho sempre dá luz a uma feliz descoberta, seja ela uma galeria, um pavilhão, uma escultura ou mesmo um visual indescritível. E quando você já está cansada de andar de um lado para o outro, um oásis aparece. Ele se materializa na forma de uma sombra agradável à beira de um dos lagos ou pelos 98 bancos gigantes feitos de troncos de árvores, que são lindos e confortáveis. É importante destacar que há ainda boas opções de restaurante e lanchonetes no interior do parque.


Pois saiba também que é delicioso andar a esmo pelo parque, perder-se pelas ruazinhas que dão acesso às 18 galerias – que reúnem trabalhos de artistas consagrados como Tunga, Hélio Oiticica, Adriana Varejão, Matthew Barney e Rivane Neuenschwander – ou mesmo sentar-se embaixo de umas muitas árvores para fazer um singelo lanche e relaxar contemplando a natureza. Para quem não está disposto a caminhar muito, uma boa dica é pagar pela utilização dos carrinhos de golfe que cruzam freneticamente as ruelas do instituto.

Como chegar
O mais legal de tudo é que Inhotim é muito mais perto do que parece. Partindo de São Paulo há uma infinidade de voos diretos desde os aeroportos de Congonhas e de Guarulhos. Em termos de hospedagem, pode-se optar por ficar em Belo Horizonte ou em algumas das cidades da Grande BH, como Lagoa Santa. É perfeitamente possível alugar um carro, curtir o dia todo em Inhotim e retornar para BH no final de tarde.


Se for possível apontar algum ponto negativo, talvez seja a ausência de boas opções de hospedagem em Brumadinho. Há muitos anos, contudo, Bernardo de Mello Paz constrói um hotel dentro do complexo de Inhotim. A previsão de inauguração muda a cada ano, mas quem anda pelo parque já consegue ver que a obra está adiantada. Será um hotel-butique com piscina, espaço para eventos empresariais e sociais, além de restaurante e spa – e o que é melhor, dentro do parque. A julgar o bom gosto de Bernardo, tenho certeza que o empreendimento será lindo e com um estilo único.

Não perca tempo, vá conhecer Inhotim. É perto, lindo, aconchegante e maravilhoso. Recomendo de olhos fechados para qualquer pessoa, mesmo para quem tem crianças pequenas. Eles certamente vão adorar também e se divertir aos montes. É um programa para toda família!

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud 

 
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