Marilene Hannud

Estilista entrou no mercado da moda há 30 anos, formada pela Faculdade Esmod de Paris, escritora do livro Mulher dos 15 aos 70 anos que conta a trajetória da vida da mulher através da moda.

Atualmente atua como Consultora de Moda e Assessoria de Imagem.
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Um dia todo para a gente!

Hoje é dia de celebrar nossa feminilidade. É momento de relembrar nossas conquistas na sociedade e as injustiças que deixamos para trás, mas também de meditar sobre o que ainda podemos alcançar. No entanto, ao ver quer mulheres comandam alguns dos países mais poderosos do mundo e ocupam posições de extrema importância na sociedade, fico com uma sensação ainda maior de que ainda podemos ir muito mais longe. Então, minhas amigas e seguidoras, feliz Dia Internacional da Mulher! Entre as muitas homenagens na internet, vale ver o doodle especial para esta busca criado pelo Google, que é interativo com imagens de mulheres de várias partes do mundo.

Mas diga uma coisa: você sabe por que é no dia 8 de março que comemoramos o Dia Internacional da Mulher? A história é muito tocante e ilustra como somos guerreiras e como tivemos que lutar muito para alcançar o que conquistamos.


Pois bem, no dia 8 de março de 1857, um grupo de operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York cruzou os braços e ocupou toda a unidade fabril para reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga horária diária (de 16 horas para 10 horas), equiparação salarial com os homens (elas recebiam um terço do que eles ganhavam) e tratamento digno no ambiente de trabalho.

Como era esperado, a manifestação foi reprimida com violência: todas as grevistas foram trancadas na fábrica, que na sequência foi incendiada. Não se sabe quem de fato ateou o fogo, mas infelizmente cerca de 130 tecelãs morreram, num ato totalmente desumano. Foi apenas em 1910, contudo, durante uma conferência de líderes de nações na Dinamarca, que ficou estabelecida a data de 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Um decreto da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, oficializou a justa homenagem àquelas trabalhadoras guerreiras e, em consequência, a todas nós!

Nossos direitos
Mais que um uma justa homenagem, que rende agrados de filhos, companheiros e colegas de trabalho, o Dia Internacional da Mulher é uma vitória política, já que nos ajuda lembrar a importância de as mulheres usufruírem de todos os direitos que qualquer cidadão deve ter. É inegável que houve vários avanços, como a chegada de Angela Merkel e muito possivelmente de Hillary Clinton à presidência de seus países, entre outras conquistas, mas as mulheres ainda não têm acesso a todos os direitos que devem ter.

No mundo corporativo, por exemplo, ainda é visível a diferença de gêneros. Segundo o site de recrutamento Catho, embora a participação feminina em posições de liderança das empresas tenha aumentado 109,93% desde 2002, os homens ganham, em média, até 30% a mais nas mesmas funções. De acordo com a pesquisa, para cargos de gerência, por exemplo, a média salarial masculina é de R$ 19,2 mil, enquanto a feminino é de R$ 18,6 mil.


Vamos passar, então, para uma área que conheço mais: moda. É inegável que somos parte fundamental no setor, mas podemos alcançar muito mais. Há modelos que são grandes referências e ganham milhões – e elas merecem, como nossa top Gisele Bündchen –, mas eu ainda considero pequena a participação das mulheres entre os principais estilistas do mundo fashion. Inegavelmente, é um universo dominado pelos homens, basta lembrar grandes nomes como Valentino, Yves Saint-Laurent, Karl Lagerfeld, Giorgio Armani, Jean-Paul Galtier e Calvin Klein, entre tantos outros.


Tenho que fazer um registro, contudo, às grandes rainhas da moda mundial, como Madeleine Vionnet, Carolina Herrera e, claro, a grande Coco Chanel. Mais recentemente, Stella McCartney também ganhou muita notoriedade, deixando para trás o pedigree do seu sobrenome e se firmando pelo seu talento. No Brasil, é impossível não mencionar Zuzu Angel e, da nova geração, a Lethicia Bronstein, que fez o belíssimo vestido de noiva da minha filha. 

Eu, muito modestamente, sinto-me privilegiada de também ter participado disso tudo e, mais ainda, ter sido uma pioneira no meu país. Construí um atelier conhecido e conquistei meu espaço. Sou muito orgulhosa disso.


Fica, então, minha palavra de amor e carinho para todas as mulheres, bem como a mensagem que, embora já tenhamos conquistado muitas coisas, ainda temos bastante a alcançar. É no dia a dia, com esforço diário, persistência e, claro, com muito estudo, que chegaremos lá. Nunca desistam dos seus sonhos, faça-os acontecer e não deixe nada te impedir. Feliz Dia Internacional das Mulheres!!

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud

(*) fotos são colagens de internet e arquivo pessoal.

Retrospectiva 2015: erros e acertos

O ano de 2015 ficou para trás e podemos abrir 2016 fazendo uma breve retrospectiva sobre o que de melhor rolou no mundo da moda ao longo do ano passado. Neste sentido, numa avaliação mais geral, pode-se dizer que este foi o ano dos riscos fashion, alguns calculados, outros nem tanto.

Vários looks de celebridades, bem como de modelos nas passarelas mundo afora, estiveram, digamos assim, bastante ousados – para não falar outra coisa. Houve, contudo, muita gente (e, claro, seus estilistas) que acertou em cheio no visual. Em contrapartida, aconteceu um festival de erros monumentais, que acabaram entrando na galeria dos micos do ano, rendendo muita brincadeira na internet e nas redes sociais. Vamos, então, listar alguns desses momentos:

Para começar, temos que prestar uma homenagem à diva maior da moda mundial, Gisele Bündchen, que fez seu derradeiro desfile para a Colcci durante a edição de Primavera/Verão da São Paulo Fashion Week (SPFW), em abril. Ao lado de amigos e familiares, a musa não conseguiu segurar as lágrimas com tamanha emoção. Antes do desfile, um telão mostrou momentos marcantes da carreira da top.


Outro momento marcante foi o baile de gala do Metropolitan Museum of Art (MET) 2015, realizado em maio, em Nova York (EUA). O evento, promovido anualmente, tem ingressos milionários (custam inacreditáveis US$ 25 mil) e costuma marcar a abertura da nova exposição do Costume Institute, do MET. Falanges de celebridades, modelos e VIPs vão até lá para desfilar seus looks no red carpet do museu nova-iorquino, que só perde em prestígio – mas não em extravagância – para o tapete vermelho do Oscar.

Em 2015, o tema foi cultura chinesa, com a exposição "China: através do espelho", mas teve muita gente que não entendeu o recado. Por exemplo, alguém consegue esquecer o vestido longo e amarelo com que Rihanna apareceu por lá? É muito difícil, não é verdade? A cantora com certeza levou o troféu de look mais chamativo da noite, para usar um eufemismo. E com méritos, é bom ressaltar.


Desenhado pela estilista chinesa Guo Pei, a peça tinha uma cauda enorme, com detalhes bordados e peludinhos. A capa do vestido longo era forrada de pele e foi bordada com rolos e rolos de flora, levando dois anos para ser concluída. Cruel com qualquer pessoa, a internet não perdoou a ousadia de Rihanna, que virou brincadeira na mão dos internautas.


Quem surpreendeu no ano passado, dessa vez positivamente, foi outra estrela da música: Lady Gaga. Famosa pelos seus looks extravagantes, ela apresentou ao mundo uma versão mais comportada e consciente da moda. Com um lindo vestido volumoso do estilista parisiense Azzedine Alaia, Lady Gaga foi uma das celebridades que mais se destacou no red carpet do Academy Awards 2015, em Los Angeles.


Tendências

Os anos 70 pareceram ter voltado com tudo no ano passado. Não foram poucos os estilistas que criaram vestidos longos, com camurça e muitas franjas, a exemplo do que ocorria naquela época. Ao longo dos meses, outras tendências também estiveram nos holofotes, entre elas o tênis branco, que foi largamente usado, assim como as saias mídi e os tops ombro a ombro.  

O ano de 2015 também foi marcado por muita roupa esportiva, uso e abuso do jeans por parte das jovens e, claro, a polêmica gargantilha, que nos fez relembrar os agora distantes anos 90. Não podemos deixar de falar também da calça pantalona curta. Quem quis ousar, certamente usou. Uma coisa, contudo, é certa: a peça virou alvo de debate em todos os lugares, das ruas às principais maisons. Mas e o que você acha? Vale a pena arriscar ou não?

  
Vimos também ao longo de 2015 muitas celebridades e estilistas criando para conhecidas marcas do varejo. A C&A, por exemplo, trouxe a socialite Kim Kardashian para dar pitacos em uma de suas linhas lançadas no ano. Já a coleção de Lalá Rudge para a Riachuelo foi um hit tão grande que as roupas sumiram das prateleiras num piscar de olhos. Mundo afora, não foi diferente: a coleção da Balmain para a H&M foi um sucesso, assim como as criações de Rihanna (ela mesma!!) para a Puma.

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!

Marilene Hannud

(*) foto da Gisele Bündchen de autoria de Amanda Salles
(**) fotos de Rihanna do site www.purepeople.com
(***) foto de Lady Gaga do Getty Images
(****) foto de Lalá Rudge é divulgação

 
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