Marilene Hannud

Estilista entrou no mercado da moda há 30 anos, formada pela Faculdade Esmod de Paris, escritora do livro Mulher dos 15 aos 70 anos que conta a trajetória da vida da mulher através da moda.

Atualmente atua como Consultora de Moda e Assessoria de Imagem.

Casamentos, seus hábitos e estilos

Não é exagero algum dizer que, hoje, o mercado de casamentos é uma indústria. Pesquisa encomendada pela Associação Brasileira dos Eventos Sociais (Abrafesta) com o instituto Data Popular mostra bem isso: de acordo com a entidade, o setor movimentou R$ 16,8 bilhões somente no ano passado. O que isso tem a ver com moda e estilo? Acho que praticamente tudo, já que, do vestido de noiva à decoração, bom gosto é fundamental na organização desses eventos.

Minha filha Carolina casou este ano com meu genro Vinicius em junho deste ano, em uma cerimônia maravilhosa no Hotel Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Além de um vestido incrível feito pela querida Lethícia Bronstein, a decoração também estava um arraso, alinhando-se perfeitamente com o estilo do espaço onde a festa foi realizada.


Casamento é sempre uma festa linda e emocionante. O da minha filha não foi diferente. Vê-la subir no altar foi uma emoção muito grande, jamais esquecerei. O amor e o carinho que emanavam dos dois era realmente tocante. Foi uma cerimônia maravilhosa. Agora, é claro que cada casal tem sua história e motivos para juntar suas escovas de dente, mas será que é possível apontar tendências e comportamentos similares entre os noivos?

Plataforma digital voltada para o mercado de casamentos, a empresa espanhola Zankyou divulgou recentemente uma pesquisa que ajuda a entender melhor o comportamento de casais de noivos nos 20 países em que atua, incluindo o Brasil. O estudo, que ouviu 15 mil pessoas, traz informações bem interessantes, como, por exemplo, o tempo médio de preparação do “grande dia”, os motivos que os levaram a casar, entre outros.


Segundo o Zankyou, que tem mais de 700 mil usuários mensais, orçamento médio mundial para organizar um casamento é de R$ 56 mil. O bolso dos brasileiros está um pouco mais vazio, apresentando um gasto médio de R$ 48 mil. Por outro lado, temos as maiores festas em número de convidados: segundo o estudo, em torno de 207, enquanto no mundo, a média é de 149. Por essa relação número de convidados x investimento, o gasto médio por convidado dos casamentos brasileiros é o mais baixo entre os países pesquisados, com R$ 234.

Em relação à organização do casamento, 47% das mulheres, em praticamente todo o mundo, começam os primeiros preparativos sozinhas. No Brasil, o mais comum é que o casal pense nos detalhes juntos (54%) e essa etapa do planejamento pode ser muito longa. Ao menos 50% dos noivos franceses, espanhóis e brasileiros levam de nove e 18 meses para organizar o grande dia.


Quem fala primeiro sobre o casamento? Esse tema é bastante dividido mundialmente, já que em 56% das vezes são os homens que tocam no assunto, enquanto o percentual das mulheres é de 44%, exatamente o mesmo índice do Brasil. Peru e México trazem dados surpreendentes: nesses dois países, os homens falam sobre o casamento em 73% das ocasiões. E o casamento acontece, em geral, até o fim do segundo ano de namoro (33% das respostas). Os casais brasileiros não fogem à regra, com aproximadamente 40% dos casamentos neste período.

Além disso, os noivos casam cada vez mais tarde, já que a média de dizer o “sim, eu aceito” é depois dos 30 anos. O troféu de apressadinhos fica com os brasileiros, que se casam por volta dos 29 anos. Já os mais pacientes são os italianos e os norte-americanos, que esperam, ao menos, até 32 anos.

Confira abaixo um infográfico com todos os dados da pesquisa. Ele nos possibilita comparar com muito mais facilidade as informações de cada país. É interessante observar os hábitos e perfil de cada uma dessas culturas.



BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!
Marilene Hannud

* todas das fotos são da fotógrafa Marina Lomar
* o infográfico foi produzido pelo Zankyou

Cronologia da moda

No poste de hoje vou tomar a liberdade de pegar emprestadas algumas palavras do belo livro escrito por N. J. Stevenson, chamado Cronologia da Moda*. Na obra, ele faz uma ampla retrospectiva sobre o mundo da moda, mostrando sua evolução ao longo de diferentes fases e décadas.

Ao fim da leitura do livro de Stevenson, cada vez mais me convenço de que, na moda, tudo se copia e se adapta, sempre em linha com o que vem sendo valorizado no período. De certa forma, puder ver isso de perto nos desfiles do São Paulo Fashion Week. Cores, combinações, tecidos, tudo estava lá, apenas com olhares diferentes e novas roupagens. Em resumo, a base é sempre a mesma.


Anúncio do jeans de alta-costura da Versace, em 1990 

Mas eu já falei demais. Leiam abaixo um dos trechos do livro de Stevenson e vejam se não é mais ou menos por aí:

Novo e moda são termos que andam sempre juntos, porque a moda, por sua natureza volátil, é sempre nova. Examinando a história da moda, vemos que as mesmas formas e cores reaparecerem inúmeras vezes.

O que lhe dá frescor e a traz de volta à vida é a interpretação de novos designers para os novos tempos. Traçar esta cronologia é uma questão de olhar não só para trás, mas também para frente. Com o tempo, nossas percepções dos estilos de moda históricos se embaçam, contaminadas por lembranças de segunda mão e interpretações de figurinistas de cinema e televisão.

Muitas vezes, usamos um estilo para descrever um período, atribuindo-o com precisão a sua respectiva década. A mini saia nunca ficará de fora de um exame dos anos 1960. Mas as saias levaram metade da década para chegar à altura que chamamos de mini. Ideais que a princípio parecem de vanguarda e chocantes aos poucos são assimiladas às roupas de uso diário ou rejeitadas e esquecidas, e revisadas muito mais tarde.



Acompanhar as oscilações do estilo é revelar o delicado processo de seu desenvolvimento. A evolução de uma indústria que reflete o tempo em constante mutação, e é influenciada por ele.

Evolução da moda

Traçar o desenvolvimento do sistema da moda é também revelar como ele se tornou parte da cultura popular. No início do século XIX, a moda era uma indicação elitista de status não muito distante das leis suntuárias da Idade Média, quando a condição social ditava a cor e o tecido que se podia usar.



Napoleão Bonaparte, imperador da França, foi um dos maiores gênios militares e sua mulher Josefina uma das primeiras líderes influentes da história da moda.

Ao longo do século XX, a moda passou a selecionar as melhores influências da arte, da música, do cinema e dos acontecimentos gerais. A função da roupa não e só de proteger contra intempéries: o que vestimos é uma proteção de nossas personalidades (e carteiras), antipatias, simpatias, conhecimentos, valores e aspirações.

Cronologia da moda:

  • 1800 – 1837: Regência e Romantismo
  • 1837 – 1858: O início da Era Vitoriana
  • 1858 – 1870: Alta Costura
  • 1870 – 1914: A Belle Époque
  • 1914 – 1930: O Art Déco e os loucos anos 1920
  • 1930 – 1939: Os elegantes anos 1930
  • 1939 – 1947: O efeito da guerra
  • 1947 – 1960: O New Look
  • 1960 – 1969: “Swinging Sixties”
  • 1969 – 1985: Do Glam ao novo Romantismo
  • 1985– 2020: Retro e Revolução

Marilene Hannud

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade!

* Versão brasileira com tradução de Lilian Pacce. Todas as fotos foram retiradas do livro.









Moda e artesanato lado a lado nas passarelas do SPFW

Não pense você que o São Paulo Fashion Week (SPFW) trata apenas de moda, tecidos ou lindas e lindos modelos. Há também espaço para o social. É impossível olhar os desfiles e não encher os olhos com os artesanatos que brilharam nas passarelas. É, sem dúvida, uma tendência que veio para ficar. Além da beleza, esse brilhante trabalho emprega centenas de pessoas, que com suas mãos habilidosas dão forma ao passado do nosso país, fazendo uma nova releitura do tricô das vovós e das famosas rendeiras nordestinas.



No SPFW pudemos ver que, no próximo inverno, a moda do tricô feito à mão é um dos hits da temporada. São roupas que podem ser usadas desde o dia a dia e o ambiente de trabalho até ocasiões informais e – por que não? – nos vestidos de festa. A chave desta temporada recém-finalizada tem confecção 100% artesanal e tramas soltas, o que trouxe uma boa dose de despretensão sofisticada muitos dos looks que usaram essa combinação.

Associado a um tingimento natural, o chamado handmade tem como objetivo criar uma moda totalmente sustentável. O primeiro, por exemplo, é uma arte milenar que antecede registros escritos, que ganhou força durante a Idade de Bronze. Na época, os corantes eram produzidos a partir de plantas e frutas. O vermelho, por exemplo, era obtido por meio de raízes, o azul de folhas e o amarelo dos estigmas da planta açafrão.

Emprego e renda 

Durante o SPFW foi muito bacana ver a coleção de Fernanda Yamamoto, que usou o trabalho de rendeiras da Paraíba nos looks que apresentou. É possível, portanto, falar aqui em moda um gerador de renda, empregos e oportunidade para centenas de mulheres.

Para dar vida à coleção, a estilista realizou visitas frequentes à região do Cariri paraibano, mais especificamente nas pequenas cidades de Camalaú, Monteiro, São Sebastião do Umbuzeiro, Zabelê e São João do Tigre. A visita de Fernanda tinha apenas uma razão: encontrar mãos habilidosas nas associações e cooperativas locais. O sucesso foi duplo: além de encontrar e envolver 40 artesãs no trabalho de desenvolvimento das roupas que apresentou na semana de moda paulista, Fernanda criou peças belíssimas.

Em entrevista durante a SPFW, Fernanda disse que a personalidade das paraibanas está presente em cada ponto de sua coleção de inverno. “Meu primeiro contato com elas foi marcante. Conheço o Brasil, São Paulo e é tudo diferente das minhas experiências. Existe uma força por trás de cada uma delas. Foi muito revelador, por isso surgiu essa vontade de descobri-las, entendê-las e mostrar isso ao mundo aliado ao trabalho que já desenvolvo”, comentou.


Fernanda Yamamoto fez um desfile impecável, com peças ousadas 

Estilista e consultor criativo, o paraibano Romero Sousa foi quem apresentou à Fernanda a riqueza presente no Cariri paraibano. Desses contatos saíram a inspiração para que ela colocasse essas inovações em sua coleção de inverno apresentada na SPFW. Em recente entrevista, Romero ressaltou que trabalho mexia com a emoção. “Temos trocado muita experiência neste intercâmbio cultural e, com certeza, vai ser perfeito o resultado, pois além da disciplina das artesãs, a Fernanda é focada, centrada e especialista na riqueza de detalhes”, disse. 

Não foi apenas Fernanda que usou e abusou do tricô durante o SPFW. Outros estilistas consagrados, como Ronaldo Fraga, também utilizaram. Grifes como Iódice e Lolita também apresentaram belas peças com tricô. Então, não resta dúvida que o tricô veio para ficar.



* Fotos de Alexandre Shneider

Marilene Hannud 
BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade 

A semana da moda em SP

Estar onde tudo acontece é sempre muito gratificante. Ao lado de amigos, amigas e perto de outros profissionais tão renomados, então, é melhor ainda. Foi, sem dúvida, uma semana muito agradável. Ver de perto o que será tendência nos próximos meses é extremamente recompensador. Mais ainda são as rodas de bate-papo: são nessas conversas informais que a gente consegue formar uma impressão melhor de cada roupa, cada desfile e cada marca. E, olha, conversei bastante, com muita gente.

Costanza Pascolato é uma referência nacional no mundo da moda 

Principal semana de moda do Hemisfério Sul, o São Paulo Fashion Week (SPFW) como sempre trouxe novos olhares e reflexões para a moda. Isso pôde ser visto com clareza na inspiração das criações de Lino Villaventura. Considerado um dos maiores estilistas brasileiros da atualidade, Lino tem grande renome internacional, mas diz não dar muita bola para isso. “A gente tem que valorizar o que é nosso. Sempre”, afirma. 

Ousado, faz misturas de materiais e estampas em suas criações, construindo texturas e dando uma nova linguagem  em seus tecidos. Assim, pode-se afirmar com todas as letras que sua moda é sempre criativa e, principalmente, exuberante. Com o preciosismo da alta-costura, Lino trabalha com minúcia os materiais mais inusitados, valorizando o trabalho manual e os elementos nativos. Sobre a elegância, algo que sempre abordo neste espaço, ele comentou após o desfile: “Elegante é aquela pessoa que é verdadeira, tem personalidade e é interessante”, afirmou.

O desfile de Lino Villaventura foi um arraso do início ao fim

O final do seu desfile foi dramático e imponente. Os vestidos desempenharam o seu papel de destaque na coleção, como ele sempre faz. Diante da leva de vaporosos longos, e curtos mais estruturados, chama atenção a aposta que Lino fez nos modelos com o corte em viés, que reforçam a sensualidade misteriosa das mulheres do estilista.

Iódice

Outro desfile marcante foi do meu amigo Valdemar Iódice, que apresentou uma coleção de extremo bom gosto nesta edição do SPFW. Valorizando a mulher e sua sensualidade, a marca usou o cenário embutido no filme Morte em Veneza, lançado em 1971 pelo cineasta Luchino Visconti e que mistura elementos da Belle Èpoque com movimentos de uma cultura libertadora, para apresentar suas apostas para o inverno. 

O ponto alto foi os inúmeros acessórios da Iódice Eyewear usados, com itens com linhas remetendo aos anos 70, que deram um toque de elegância ao desfile. Materiais como o metal com banhos de ônix, além das misturas de outros componentes como couro liso e camurça também foram destaque. Botões enormes belíssimos de acrílico em casacos, malhas e saias com barras  em rendão com o tingimento artesanal e vestidos estilo tubo de malha canelada com barras plissadas também chamaram atenção na moda de Valdemar, assim como a cartela de cores em tons terrosos como o militar, laranja, tijolo e azul petróleo e os clássicos preto e branco.

Os acessórios chamaram atenção no desfile da Iódice 

Zanzando pelo evento, como disse para vocês, bati papo com muita gente. Abaixo, Costanza Pascolato faz uma análise da moda no Brasil:


Na sequência, Gloria Kalil também diz sobre suas impressões sobre o que vem acontecendo na moda brasileira:


Por fim, Valdemar Iódice explicou o que o inspirou em sua última coleção:



As tendências do Inverno 2016

O inverno já está aí – pelo menos no mundo da moda. Para quem não está habituado com esse universo, é agora – com meses e meses de antecedência – que as principais marcas e estilistas do país lançam suas apostas para a temporada de frio. São nas passarelas de eventos como o Minas Trend, recém-encerrado em Belo Horizonte, e do São Paulo Fashion Week (SPFW), em São Paulo, que saem principais tendências para todas as estações.

Inegavelmente, estes eventos são grandes espaços e oportunidade para muita criatividade. É importante destacar também que, hoje, com os avanços do mundo digital, a informação se democratizou tremendamente. Blogueiras e tantas outras especialistas sabem das coisas e, claro, também ditam moda, mas é impossível desassociar o que acontece nas passarelas brasileiras e internacionais do que efetivamente se transforma em tendência.


São, sem dúvida, grandes termômetros para termos uma ideia do que estará nas vitrines na próxima estação. É claro que o estilista cria algumas peças arrebatadoras que não serão vendidas, mas temos que lembrar que se trata de um grande show. Moda, mídia e showbusiness sempre falaram línguas muito parecidas, não é verdade?

Talvez o estilista brasileiro mais reconhecido internacionalmente, o jovem paulistano Pedro Lourenço tentou, em 2013, fugir desse universo das passarelas, abrindo mão dos caríssimos desfiles em Paris para apresentar suas novidades para o Outono-Inverno 2014 de uma forma aparentemente inovadora. Depois de três anos e seis coleções ininterruptas na capital da moda mundial, Lourenço trocou a apresentação tradicional por uma versão digital, a ser exibida na internet. Como a repercussão não foi das melhores, o talentoso estilista retornou ao mundo off-line – e com sucesso.

Voltando aos desfiles, o Minas Trend trouxe uma infinidade de combinações, novidades e tendências que podem – em separado ou de forma combinada – serem usadas por qualquer pessoa. A festa mineira se leva muito a sério e oferece uma grande variedade de roupas bordadas, bem como um artesanato local bem-sucedido.



O evento, contudo, não se limita a eles: foi possível encontrar também estampados, rendas belíssimas, belos jacquards de seda tanto para os longos, como para os curtos. Veja outros destaques:

  • Comprimentos: havia grande oferta de todos os tipos e formatos. Valem as saias micro, mini-saias, saias pelo joelho, mídi e longas; valem também as calças justas e as largas – tudo isso em praticamente todas as cores.
  • Referências mais clássicas: o branco apareceu em muitos looks de diferentes marcas, dando o tom, por exemplo, do desfile de abertura do Minas Trend.
  • Tricô: ele definitivamente esteve em alta.  O tema geométrico apareceu bastante, bem como nos estampados, na forma de listras misturadas a grandes blocos de cores.
  • Sobreposições: elas também foram outro grande destaque do evento, exploradas por muitas marcas.
  • Nude ou Blush: não é novidade nas roupas de festa, mas é uma cor nova para as peças mais esportivas, assim como para os acessórios.
  • Noite: para essa ocasião pude observar bolsas menores, estruturadas em formato de caixinha; sacos de tamanho médio, mochilas, bolsas divertidas em forma de cantis ou com desenhos de boca e de corações.


Nem só de roupas vive a Minas Trend. Os acessórios também tiveram grande destaque, com braceletes e brincos enormes, além de coleiras interessantes. Além do mais, viu-se muita franja (ainda), saias em pontas assimétricas, coletes e plissados. Nas estampas, muitos florais, desenhos geométricos e bolinhas. Nas cores, o bordô permanece e o azul, em todas as suas nuances, continua marcando presença firme. Houve espaço também para uma confirmação de que a tendência mais veranil do inverno 2016 está nos nudes, no lilás claro e em alguns tons pastéis. E, para inovar, um lindo tom de café, bem escuro, para uma série de vestidos de festa.

Lino Villaventura volta a surpreender ao apresentar sua segunda linha mais casual e comercial

Bem, agora chegou a vez do São Paulo Fashion Week, que vai de 18 a 23 de outubro, no Parque Ibirapuera – Pavilhão da Bienal. Trata-se, sem nenhuma dúvida, do evento de moda mais importante do Brasil e da América Latina. A lista de marcas e estilistas é rica e variada. Confira toda a programação dos desfiles no http://ffw.com.br/spfw/inverno-2016-rtw/.
 
Volto nas próximas semanas com alguns comentários sobre o que rolou nas passarelas do SPFW. Não percam!!

BIS! Beleza, inspiração e Simplicidade.
Marilene Hannud

Conheça alguns truques para ter elegância com pouco dinheiro

Carinha lavada, naturalidade em tudo, dos cabelos à pele. As pernas (de penugem clareada com água oxigenada) sempre à mostra nos shorts bem apertadinhos e moderninhos, normalmente com aplicações de renda ou de tachas. As mini-saias de jeans, com detalhes descolados, e os coletes de couro também são facilmente encontrados por aí. Dependendo da ocasião e do clima, essas peças estão sempre presentes em looks charmosos e elegantes, além de serem bem práticos tanto no inverno, quanto no verão.


Os coletes de alfaitaria, por exemplo, são ótimas opções para quem deseja montar seu estilo no dia sem gastar muito. Veja abaixo bons coletes para vários tipos de ocasiões, combinados ainda com um tênis, blusinha justinha e curtinha, afinal a jovem tem que aproveitar a sua juventude, quando tudo ainda está em cima. Não posso deixar de falar das reuniões mais glamourosas como baladas, festas e casamentos, ocasiões em que a garotada quer ver e ser percebida. A mochila de couro, de pano ou de plástico sempre a tiracolo, na qual cabem vários utensílios e acessórios, além de sonhos.


Nessa (des)arrumada descontração, as jovens costumam brincar de moda, normalmente seguindo tendências de seus grupos. Olhando essa garotada e seus estilos específicos, falamos ou não de uniformes com regras bastante rígidas? É claro que as meninas de quem estou falando são comuns, que se juntam às suas semelhantes nessa doce busca para encontrar uma identidade, um lugar ao sol.

Mesmo na maior normalidade a que estou me referindo, essas meninas se deparam com perigos – e também correm riscos. É claro que é muito importante ser jovem e viver esse período maravilhoso da vida. Mais ainda, é essa jovialidade, em todos os aspectos, que dirigirá e norteará os destinos dessas pessoas.

Parece sério, não é verdade? Pois saiba que realmente é, e quando toco nesse assunto estou pensando na mais comum das jovens. Afinal, e é bom que se esclareça, você é o que foi ontem e, mais ainda, será amanhã o que é neste momento? É uma reflexão bem preocupante, não acham?

Por conta disso, é bom que todos se lembrem: jovens e mães de jovens devem ter muita atenção com a vaidade. É fundamental encontrar um equilíbrio em seu estilo, de forma que não seja muito extravagante e que também não deixe de “existir” perante aos outros. Ainda assim, não vale ter como ídolo a estrela da novela das nove, certo?


Pessoalmente, tive um momento bem delicado, com dois filhos – uma jovem, mais velha, e um rapaz. Vejo a vaidade como um item que deve fazer parte da educação dos filhos, algo que os pais devem passar para sua prole desde pequenos. Sei que fui uma mãe bem rígida e, em falando de vaidade, sei que me superei neste quesito – “sem querer”, é claro. Hoje, contudo, tenho certeza que Carolina e Giancarlo me agradecem bastante.

Desde pequeninos eles viajavam bastante e participavam da minha vida social. Sabiam se comportar muito bem e, com isso, a vaidade foi naturalmente se aflorando na vida deles. Nos dias de hoje, os dois cuidam bem da pele, do corpo e da imagem, além de serem super elegantes, cada um com seu estilo próprio. Posso dizer que valeu a pena!!! Sei que fiz o certo e tenho certeza que minha filha educará meus netos dentro dessa cartilha.

Então, as adolescentes precisam entender que não precisam de um armário cheio de roupas. Definitivamente, isso não significa elegância impecável. Pelo contrario, não é raro ser preciso esvaziá-lo, pois é quase impossível que todas aquelas peças combinem entre si ou se ainda estão de acordo com seus corpos. 
A velha e surrada fórmula do jeans com uma camiseta unissex e despersonalizada não é comigo! O uso constante da dupla cria um hábito perigoso: a jovem acaba não sabendo mais como se vestir! Ela acaba refém do pretinho básico ou do jeans com a camiseta. Isso traz consequências que vão muito além do guarda-roupa despersonalizado. Ela acaba abrindo mão da elegância!

Aqui vão algumas dicas básicas:

  • não misture mais de duas cores
  • procure peças com tecidos lisos
  • estampas são mais difíceis de serem combinadas
  • cuidado com as compras: lembre-se das roupas que estão no armário e coordene-as em diferentes looks


Em resumo, com muito menos dinheiro seu guarda-roupa poderá ficar impecável. É fundamental também cuidar sempre do corpo – trata-se da única casa seguro que você possui – e da mente. Invista também na sua pele, pois ela é muito mais importante do que um par de sapatos novos.
 
Eu, por exemplo, cuido da minha pele desde os meus 12 anos. Nunca dormia sem limpá-la, sempre usando creme Pond’s. Mais adiante, aos 20 anos, já fazia limpeza de pele com regularidade, normalmente uma vez por mês. Já a partir dos 30 comecei fazer tratamentos específicos. Hoje, minha pele agradece esses cuidados que tive e continuo tendo.

Sua imagem é importante para a sua autoestima. Você sempre vai se sentir melhor, seu humor ficará outro. Uma pessoa de bem consigo mesma rende mais nos estudos, no trabalho e constrói uma relação muito mais saudável com seus familiares e amigos. Dinheiro não tem nada a ver com elegância. Acredite, dá para ser chique gastando muito pouco...

BIS! – Beleza, Inspiração e Simplicidade

Marilene Hannud






Moda e a maneira certa de se vestir

As transparências tomaram conta dos lançamentos na ultima década. Para mim, foi uma espécie de reação natural aos anos de malhação e dedicação das mulheres nas academias de ginástica. Tudo faz sentido, contudo. De que adianta passar horas a fio se exercitando se não for para mostrar o resultado desse sacrifício? Na verdade, os estilistas apenas seguiram a tendência natural das coisas.

Aquelas mulheres esqueléticas aos poucos perdem o brilho de outrora, dando lugar àquelas com contornos mais arredondados e femininos. O busto está em alta de novo e a lingerie nunca foi tão sofisticada quanto agora. Para ter uma ideia, é possível encontrar por aí jogos de lingerie que custam mais que um vestido de festa.

A transparência está voltando com força nas passarelas mundiais

Hoje, a sensualidade e o sexo são inegavelmente assuntos do dia. Nas revistas femininas, por exemplo, é comum encontrar reportagens que valorizam o prazer, em que a mulher despida ainda é um dos pontos básicos de muitas peças publicitárias.

A velocidade que internet e o mundo digital trouxeram para a sociedade tornou difícil prever o que vai ser da moda agora. Imagina, então, amanhã? Ainda bem, contudo, que tendência do preto parece declinar, assim como a aclamação das chamadas “viúvas sicilianas“, que só se vestiam nessa cor. Graças a Deus isso parece ser passado e, na verdade, essa “moda” nada mais é do que um exemplo de falta total de imaginação e criatividade para se vestir.

Chanel dizia que a mulher precisa ter um armário inteligente*

Há ainda outro ponto importante ligado à moda atual que merece ser debatido. As peças prontas fazem com que a qualidade das roupas caia muito. Em paralelo, a importação de roupas e tecidos de má qualidade faz decair a confecção brasileira. Uma coisa é importante deixar claro: prêt-à-porter significa “pronto para usar“ e não “confecção mal feita”. A moda atual parece muito apegada ao consumo imediato e acaba deixando um pouco de lado a qualidade, o que é um erro grave. Isso fez com que peças de carregação acabassem tendo destaque nas vitrines dos shoppings centers.

Roupa nos dias atuais é quase um produto descartável. Não há mais a preocupação de se guardar uma boa peça de vestuário de um ano para outro. Ao mesmo tempo, os closets estão cada dia menores, o que torna a falta de espaço uma grande preocupação para as mulheres com estilo. Muita gente está alugando boxes para não se desfazer do que ainda pretende usar.


Muitas marcas mostram que prêt-à-porter não é roupa descartável*

Infelizmente, este fenômeno é bem brasileiro. Os europeus, econômicos por natureza, e os norte-americanos, que sabem se valorizar, não tem esse tipo de comportamento. Pelo contrário, eles compram peças de qualidade e não em quantidade. Mais ainda, preferem combinar as peças básicas de um ano para outro. Com isso, as roupas não desbotam, não deformam e duram muito mais.

Chanel sempre dizia que uma mulher elegante não tem o armário cheio de peças de roupas, mas um guarda-roupa inteligente, que combina entre si poucas peças. O jeans acompanhado de camiseta pode parecer básico para as compras no mercado, ou mesmo para um final de semana no sítio, mas o uso excessivo dessa dupla revela falta de imaginação e, principalmente, de autoestima. Pegar a primeira peça de roupa e vestir sem nem olhar é um sinal de que a pessoa não se acha digna de ficar bonita e elegante. Hoje, temos vários livros e cursos para valorização da imagem e do estilo.


Cores e mais cores marcam os desfiles da Dolce & Gabbana* 

Tentar ser chique hoje não significa ter medo de se enfeitar, mas criar um estilo adequado para cada situação. Sei que muitas pessoas têm dificuldades nisso, por isso estão no mercado e no mundo digital um número grande de profissionais de moda prontos para passar uma orientação. Quando temos problemas de saúde procuramos um médico, não é? Com a moda, por que as pessoas ainda são tão resistentes em pedir auxílio? Por que será? Atores, atrizes e músicos de sucesso, por exemplo, não hesitam em usar este tipo de profissionais. Vai ver que eles reconhecem a importância da imagem e do estilo para suas vidas.

O problema desta década, portanto, está muito mais ligado a uma questão de comportamento do que propriamente elegância. Como estamos na época do “pode tudo”, há muita confusão quando o assunto é roupa. Gente, elegância é um conjunto de requisitos, não um vestido de grife.

BIS – Beleza, Inspiração e Simplicidade.

* as fotos são reprodução de internet


Marilene Hannud

 
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